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O Direito do coração: a elegância da escuta segundo Camila Juliana

Publicado em 20 de janeiro de 2026

 

 

 

 

Desde criança, Camila Juliana parecia já ter o destino traçado. Enquanto a maioria das meninas sonhava com bonecas e casinhas, ela montava um pequeno escritório improvisado em festas de família, com mesa, cadeira e uma “cliente”: a irmã mais nova. A mãe conta que era ali, entre papéis e perguntas imaginárias, que nascia a advogada que Camila se tornaria um dia.

Aos 17 anos, ingressou na faculdade e, aos 21, já se formava advogada. Durante o curso, estagiou por três anos no escritório do reitor da instituição, experiência que ela considera sua base moral na advocacia. Foi ali que aprendeu sobre ética, caráter, dignidade e, acima de tudo, a importância de olhar para o ser humano antes do processo. Logo após a formatura, iniciou sua carreira em um grande escritório de advocacia, sob orientação de um professor. O volume de demandas e a intensidade do trabalho deram a ela a base prática que faltava. Peticionamentos, recursos, audiências e o trato direto com os clientes e o fórum.

 

No início, a juventude e o gênero foram obstáculos. Em um meio historicamente masculino, ser mulher e muito jovem exigia esforço redobrado para conquistar respeito e espaço. Camila, porém, aprendeu a transformar a resistência em combustível. Sua trajetória se construiu com disciplina e consistência, passo a passo, sem atalhos. “Meu crescimento não foi meteórico, foi contínuo”, costuma dizer.

Com o tempo, encontrou no Direito de Família o propósito que faltava. A convivência com conflitos domésticos, divórcios e disputas de guarda revelou um campo em que a técnica jurídica precisa andar lado a lado com a empatia. Hoje, Camila é referência na área e especialista em mediação familiar. Seu olhar é o de quem entende que por trás de cada processo há uma história e, quase sempre, dor.

 

Ela costuma dizer que o grande diferencial do seu trabalho está no olhar humanizado sobre os conflitos. Um divórcio, para ela, é mais do que um rompimento contratual; é o fim de uma história afetiva. Um inventário carrega o peso da perda, e uma disputa de guarda fala sobre o desafio de dois pais aprenderem a dividir amor e responsabilidade. Essa sensibilidade moldou sua prática e definiu o estilo de advocacia que a tornou respeitada entre colegas e clientes.

 

A maternidade representou um divisor de águas em sua vida e carreira. A chegada dos filhos transformou sua forma de enxergar o mundo, e também a advocacia. Camila deixou de enxergar processos apenas como números e começou a perceber neles histórias de vida. Passou a buscar propósito, e não apenas resultados. Entendeu que sua função vai além de defender: é acolher, orientar e, sempre que possível, ajudar o outro a se reconstruir.

 

A advogada se orgulha do caminho que construiu com base sólida, estudo e ética. Sua evolução profissional foi acompanhada por uma rotina de formação contínua. Pós-graduada e com passagem pela Universidade de Coimbra, ela segue estudando e se atualizando em temas atuais do Direito de Família. Seu próximo grande objetivo é uma especialização na França, voltada à mediação e à resolução pré-processual de conflitos. “Eles estão muito à frente na forma de evitar que tudo chegue ao Judiciário. É esse modelo que quero trazer para o Brasil”, explica.

 

Camila coleciona histórias de recomeços: mulheres que retomaram os estudos após o divórcio, voltaram ao mercado de trabalho ou conseguiram, pela primeira vez, alugar uma casa depois de anos em relacionamentos abusivos. Para ela, esses são os verdadeiros troféus da profissão, sinais de que o Direito, quando exercido com empatia, pode ser uma ferramenta de libertação.

 

Camila tem uma preocupação especial em respeitar colegas e clientes, cuidando para que cada caso seja conduzido com sensibilidade e integridade. Adepta da Comunicação Não Violenta, acredita que até as palavras em um processo devem ser escolhidas com cuidado, já que muitas vezes são lidas por pessoas que ainda estão fragilizadas.

 

 

 

 

 

Para quem sonha seguir o mesmo caminho, seu conselho é simples, mas firme: estudar e se especializar. O Direito, diz ela, é uma profissão viva, que muda com a sociedade. A família de hoje não é a mesma de dez anos atrás, e acompanhar essas transformações exige atualização constante.

@camilajuliana_adv

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