Circulando com Marilda Serrano: Festival Palavra Insubmissa
Publicado em 10 de abril de 2026
A Livraria Mantiqueira em São José dos Campos (SP) promove, neste sábado (11), o Festival Palavra Insubmissa, reunindo alguns dos principais nomes da literatura contemporânea brasileira em uma programação que articula debate, lançamento de livro, formação de leitores e música. O evento propõe um dia inteiro de encontros em torno da palavra como experiência sensível, crítica e transformadora.
A literatura que não se dobra. Penso muito sobre o que significa estar num lugar como o Festival Palavra Insubmissa e, mais do que isso, o que significa sustentar uma palavra que não se curva: nem ao mercado, nem ao medo, nem à expectativa dos outros sobre o que a gente deveria escrever, publicar, performar. Porque não é só sobre literatura, nunca é só sobre literatura, é sobre corpo, sobre história, sobre quem teve a voz interrompida tantas vezes que, quando ela finalmente sai, ela não aceita mais ser podada.
Estar neste festival é, para mim, um pouco como encostar o ouvido numa frequência que eu reconheço de longe: a de quem escreve com urgência, com desobediência, com uma certa recusa em ser domesticada. E talvez por isso faça tanto sentido dividir esse espaço com o Marcelino Freire, que é mais do que uma referência, é uma dessas presenças que atravessam a nossa trajetória de forma concreta, que tensionam a nossa escrita, que abrem caminho. Eu não consigo falar de mim como autora sem passar por esse encontro, sem reconhecer que Porca Gorda também existe porque, em algum momento, ele leu, provocou, acreditou, ajudou a puxar esse livro para fora de mim e para dentro do mundo. E isso não é pouca coisa.
Porque publicar, para quem escreve desde lugares historicamente silenciados, nunca é só uma etapa técnica, é quase um parto atravessado por muitas mãos, algumas que ajudam, outras que tentam segurar. E ter alguém como Marcelino nesse processo é ter uma espécie de autorização que não vem como carimbo, mas como empurrão: vai, escrever mais fundo, não alivia, não negocia o que precisa ser dito.
Para celebrar, terei a honra de ser mediada por Roberto Guimarães, curador do festival e livreiro na Mantiqueira, com quem tenho trocas absolutamente fantásticas sempre que nos falamos, dono de um humor que muito me traz esperança e de uma sagacidade que o mundo precisa.

E junto disso, estar ao lado da Carol Rodrigues é também reconhecer uma linhagem de escrita que me atravessa e me desafia. Carol é dessas autoras que não cabem em leitura rasa, que tensionam forma e linguagem, que fazem a gente lembrar que escrever também é desestabilizar o mundo, inclusive o nosso. Dividir esse espaço com ela é, ao mesmo tempo, conforto e vertigem: conforto de saber que não estou sozinha nessa recusa, vertigem de ser constantemente chamada a ir mais longe, mais fundo, mais radical.
Festival Palavra Insubmissa
Data: 11 de abril (sábado)
Horário: a partir das 10h
Local: Livraria Mantiqueira São José dos Campos
Endereço: Avenida Paulo Becker, 108, no bairro Vila Adyana
Entrada gratuita


