Home » A Última Sessão de Freud” chega ao Teatro Municipal de São José dos Campos

A Última Sessão de Freud” chega ao Teatro Municipal de São José dos Campos

Publicado em 22 de abril de 2026

 

 

Sucesso de público, peça dirigida por Elias Andreato traz Odilon Wagner e Marcello Airoldi em cena e recria o encontro imaginário entre Sigmund Freud e C.S. Lewis, em um diálogo entre fé e razão

E se dois dos maiores pensadores do século 20 se encontrassem frente a frente para discutir Deus, razão e o sentido da vida? É essa a provocação de “A Última Sessão de Freud”, espetáculo em cartaz no Teatro Municipal de São José dos Campos (SP), nos dias 15, 16 e 17 de maio de 2026 – sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 17h.

Na palco, um encontro entre Sigmund Freud, o pai da psicanálise, e C.S. Lewis, escritor que se tornou um dos mais influentes defensores da fé cristã, em um debate intenso e atual sobre crença, ciência e existência.

Em cena, Odilon Wagner dá vida a Freud, enquanto Marcello Airoldi interpreta C.S. Lewis, sob direção de Elias Andreato. Um dos grandes sucessos do teatro brasileiro desde 2022, o espetáculo já soma mais de 400 apresentações e quatro anos em cartaz, com turnês nacionais e plateias lotadas.

Embate de ideias

Com texto de Mark St. Germain, a montagem é baseada no livro “Deus em Questão”, escrito por Dr. Armand M.Nicholi Jr., professor clínico de psiquiatria da Harvard Medical School. Na trama, Freud busca entender por que um ex-ateu, brilhante intelectual como C.S. Lewis, pode, segundo suas palavras, “abandonar a verdade por uma mentira insidiosa”, tornando-se um cristão convicto.

No gabinete de Freud, na Inglaterra, eles conversam sobre a existência de Deus, mas o embate verbal se expande por assuntos como o sentido da vida, natureza humana, sexo, morte e as relações humanas, resultando em um espetáculo que se conecta profundamente com o espectador através de ferramentas como o humor, a sagacidade e o resgate da escuta como ponto de partida para uma boa conversa. O sarcasmo e a ironia rondam toda essa discussão. As ideias contundentes ali propostas nos confundem, por mais ateus ou crentes que sejamos.

“Essa peça é um elogio ao diálogo, tão necessário em nossos tempos. Saio do teatro todos os dias mais convicto que podemos e devemos conviver pacificamente com aqueles que pensam diferente de nós”, afirma Odilon Wagner.

Quando a palavra conduz a cena

O cenário assinado por Fábio Namatame (indicado ao Prêmio Shell de “Melhor cenário”) reproduz o consultório onde Freud desenvolvia sua psicanálise e seus estudos. Ele estava exilado na Inglaterra depois de ter fugido da perseguição nazista na Áustria, em plena segunda guerra mundial, no ano de 1939.

Segundo o autor, a peça mostra um embate de ideias. Mas houve uma preocupação de que o espetáculo não se transformasse em um debate. “Por isso, pelo bem da ação dramática, situei o encontro entre Freud e Lewis no dia em que a Inglaterra ingressou na Segunda Guerra Mundial. São dois homens no limite, sabendo que Hitler poderia bombardear Londres a qualquer minuto”.

Já o diretor Elias Andreato optou por uma encenação que valoriza a palavra, construindo as cenas de modo que o texto seja o protagonista e as ideias estejam à frente de qualquer linguagem.

“A idéia do autor Mark St. Germain de provocar esse encontro entre Freud e Lewis cria um jogo teatral de ideias, crenças e visões de mundo profundamente distintas. O diálogo entre os dois personagens é, por vezes, irônico, por vezes violento, mas surpreendentemente sociável, e é justamente aí que reside sua força: na prova de que é possível conviver com as diferenças de forma inteligente, crítica e sobretudo, humana”, explica.

Odilon Wagner constrói um Freud de extrema humanidade, numa composição precisa, milimétrica, que torna seu trabalho inesquecível. Já Marcello Airoldi demonstra que o humor e a leveza podem existir mesmo quando as ideias se chocam e percorrem territórios perigosos, densos e provocadores.

“O espetáculo dialoga com o público de maneira sensível e direta. Seu sucesso nasce da atualidade do tema e da urgência em discutir questões profundas e delicadas que atravessam o nosso cotidiano, especialmente em um Brasil cada vez mais dividido. O teatro mostra, mais uma vez, ser o veículo ideal para falar da violência com poesia, reflexão e escuta, abrindo caminhos para a transformação”, afirma Andreato.

O impacto de interpretar

Para Odilon Wagner a experiência de interpretar Freud tem um significado especial nesses seus 56 anos de profissão. “Tem sido uma das experiências mais fascinantes de minha carreira, é um privilégio poder representar uma personagem tão potente como Freud, um dos grandes pensadores do século 1920. Nesses últimos quatro anos em que estivemos em cartaz, já rodamos o país três vezes e repetiremos a turnê em 2026”, afirma.

Segundo ele, a reação do público, sempre tão entusiasmada, e os encontros e debates que ocorrem nos teatros e nas universidades enriqueceram muito a experiência e trazem a confirmação da atualidade do pensamento Freudiano em nosso século. “O espetáculo estimula a nossa reflexão sobre a necessidade de praticarmos uma cultura de paz, nos provoca a exercer nossa humanidade com mais fervor e atenção, para que não se repita a história deletéria da segunda guerra mundial, vivenciada por Freud”, completa.

Segundo Marcelo Airoldi, o teatro “nunca é feito de facilidades e não há fórmulas para o sucesso de um projeto”. Mas quando este acontece, saltam aos olhos detalhes que evidenciam a existência de cuidados especiais, seja na produção, direção ou qualquer outro aspecto técnico do espetáculo.

“Num mundo dominado por algoritmos da superficialidade, é maravilhoso encontrar plateias sedentas pelo bom debate, humor de qualidade, poesia e pela história de bons personagens como estes, que a dramaturgia juntou na mesma página”, conclui o ator.

Ficha Técnica
Texto: Mark St. Germain
Tradução: Clarisse Abujamra
Direção: Elias Andreato
Assistente de Direção: Raphael Gama
Idealização: Ronaldo Diaféria
Elenco: Odilon Wagner e Marcello Airoldi
Cenário e figurino: Fábio Namatame
Assistente de cenografia: Fernando Passetti
Desenho de Luz: Gabriel Paiva e André Prado
Designer de som: André Omote
Iluminação: Nádia Hinz
Sonorização: Gabriel Fernandes
Trilha Sonora: Raphael Gama
Arte Gráfica: Rodolfo Juliani
Fotografia: João Caldas
Produtor Executivo: Adolfo Barreto
Cenotécnica/Contra-regragem: Vinicius Henrique, Kauã Nascimento
Produtores Associados: Ronaldo Diaféria e Odilon Wagner

Sinopse
No gabinete de Freud, na Inglaterra, o pai da psicanálise e o escritor C.S. Lewis conversam sobre a existência de Deus, mas o embate verbal se expande por assuntos como o sentido da vida, natureza humana, sexo e as relações humanas, resultando em um espetáculo que se conecta profundamente com o espectador através de ferramentas como o humor, a sagacidade e o resgate da escuta como ponto de partida para uma boa conversa. O sarcasmo e ironia rondam toda essa discussão. As ideias contundentes ali propostas nos confundem, por mais ateus ou crentes que sejamos.

Serviço
A Última Sessão de Freud, de Mark St. Germain
Local: Teatro Municipal de São José dos Campos – 3º Shopping Centro
R. Rubião Júnior, 84, Centro, São José dos Campos (SP), 12210-180
Temporada: 15, 16 e 17 de maio de 2026
Sexta e Sábado às 20h e Domingo às 17h.
Ingressos: entre R$25 e R$160
Vendas online em: https://www.freud.art.br e Sympla
Capacidade: 490 lugares
Classificação: 14 anos
Duração: 90 minutos
Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

Nenhum comentário ainda