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Tabu sobre homens usarem maquiagem começa a perder força em 2026

Publicado em 26 de fevereiro de 2026

 

 

 

Para Zaion Janoski, mudança acontece quando autocuidado passa a ser visto como higiene e presença social, não como vaidade

O homem que usa maquiagem ou mantém uma rotina de cuidados com a pele ainda enfrenta piadas e julgamentos. Mas os números mostram que o comportamento está mudando de forma consistente no Brasil e no mundo.

De acordo com dados da Euromonitor International, o Brasil é um dos maiores mercados globais de beleza masculina. O país figura entre os principais consumidores de produtos de higiene e cuidados pessoais voltados para homens, ao lado de Estados Unidos e China.

Segundo levantamento da ABIHPEC Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, o Brasil está entre os maiores mercados de HPPC do mundo, e a categoria masculina mantém crescimento contínuo dentro do setor. Mesmo após a pandemia, o segmento de cuidados pessoais voltou a acelerar, impulsionado principalmente por produtos de skincare.

Globalmente, o mercado de cuidados pessoais masculinos movimenta dezenas de bilhões de dólares por ano. Relatórios da própria Euromonitor indicam que a categoria de grooming masculino vem registrando crescimento sustentado, especialmente em produtos para pele, barba e cabelo.

Para o especialista em comportamento e imagem masculina Zaion Janoski, o problema nunca foi o produto em si, mas a construção cultural em torno dele. Durante décadas, cuidar da aparência foi associado exclusivamente ao público feminino. Isso afastou muitos homens até de cuidados básicos como hidratação facial e uso diário de protetor solar.

Os hábitos, porém, estão mudando. Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia mostram aumento na procura masculina por consultas dermatológicas nos últimos anos, especialmente para tratamentos de acne adulta, oleosidade e prevenção do envelhecimento precoce.

Além disso, pesquisas de comportamento indicam que homens mais jovens estão mais abertos ao consumo de produtos para cuidados faciais do que gerações anteriores. Entre a geração Z, o skincare é frequentemente associado à saúde e bem-estar, e não apenas à estética.

Nas redes sociais, o tema também ganhou espaço. Plataformas como TikTok e Instagram impulsionaram conteúdos sobre rotina de cuidados com a pele, incluindo influenciadores homens que falam abertamente sobre uso de corretivo para olheiras, controle de oleosidade e uniformização da pele. O conteúdo deixou de ser restrito a nichos e passou a integrar o cotidiano digital.

Segundo Janoski, o fator decisivo para 2026 é a normalização. O homem contemporâneo não busca maquiagem elaborada, mas recursos discretos que transmitam aparência saudável e segurança. A mudança acontece quando o autocuidado passa a ser entendido como parte da higiene e da presença social.

O marco de 2026, portanto, não está apenas no crescimento do consumo, mas na quebra simbólica do constrangimento. Quando o cuidado vira rotina, ele deixa de ser exceção.

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