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Mães empreendedoras transformam butecos em símbolos de resistência e acolhimento em São Paulo

Publicado em 8 de maio de 2026

 

 

 

 

 

No mês do Dia das Mães, Comida di Buteco evidencia a atuação de mulheres que lideram butecos e sustentam negócios familiares na cidade

Em sua 14ª edição em São Paulo, o Comida di Buteco, um dos principais festivais gastronômicos do país, ganha um significado ainda mais potente no Dia das Mães, data em que chega ao seu último dia na capital. O evento tem sido uma vitrine importante para dar visibilidade e relevância a mulheres que, além de empreendedoras, são mães e têm em seus butecos sua forma de sustento, expressão e construção de legado.

Ao colocar esses estabelecimentos no centro da cena gastronômica e cultural, o Comida di Buteco ajuda a impulsionar histórias reais de superação, fortalecendo negócios familiares e ampliando o reconhecimento de quem, muitas vezes, construiu tudo a partir de desafios pessoais profundos.

 

 

 

Maternidade como força de reconstrução
A trajetória de Zani Panzera, proprietária da Dona Panceta, localizada na Santa Terezinha, região da Zona Norte de São Paulo, tem na maternidade seu motor de recomeço. Mãe solo, criada pela avó, enfrentou o câncer por três vezes e encontrou nas filhas o apoio para seguir em frente na vida e nos negócios. Com dívidas acumuladas após o último tratamento, decidiu empreender para sair do sufoco.

A coragem dessa mãe e suas filhas é refletida no sucesso do Dona Panceta, uma referência entre os butecos da cidade. O segredo, segundo Zani, está no cuidado com que se dedica a preparar os pratos que fazem sucesso entre a clientela. “Cuido da Dona Panceta como cuido da minha casa: com carinho, atenção e acolhimento. A missão da Dona Panceta é alegria, esperança e crocância. Você já viu alguém triste comendo torresmo?”, conta ela. Com as filhas ao lado desde o início e acompanhando o crescimento do neto de perto, ela transformou o negócio em um espaço de afeto e reconstrução.

 

 

 

 

O bar como extensão da família
Vencedor do Comida di Buteco em 2013, o Berinjela, localizado no Tatuapé, região da Zona Leste de São Paulo, inaugurado na década de 90, foi a “casa” onde Débora Regina Santarelli criou os filhos. Conciliando a maternidade e o negócio que mantinha a família, Débora reuniu um time de peso, formado também pelo marido e a sogra na empreitada de fazer o Berinjela dar certo. O resultado é um buteco que se orgulha de seu ambiente familiar, onde toda a família, incluindo os filhos, participa da operação.

Essa convivência influencia diretamente o jeito de receber o público e de conduzir o negócio, acredita Débora. “Como mulher e mãe, sempre tive a força necessária para seguir em frente, superar os desafios e proporcionar um ambiente acolhedor, familiar a todos os que frequentam o Berinjela. Eu acredito que esse, além da nossa cozinha, é o nosso grande diferencial”.

 

 

 

 

 

 

Legado que atravessa gerações
“A maternidade sempre caminhou junto com o negócio. Criei meus filhos dentro do Caranuari, acompanhando de perto cada etapa do trabalho”, conta Andrea Rocha Carvalho, proprietária do buteco, localizado na Vila Maria Alta, região Norte de São Paulo. Oriunda de uma família de comerciantes, Andrea carrega, desde cedo, os valores do trabalho. “Já nasci com o DNA do comércio. Como mulher comandando um buteco, enfrentei desafios para conquistar respeito em um ambiente ainda marcado por preconceitos. Não é fácil ser levada a sério, é preciso firmeza. Aqui, o respeito é regra da casa”, afirma.

Todo o esforço vem sendo recompensado e o legado do aprendizado de anos pode ser comprovado pelo legado deixado para os filhos. “Meus filhos cresceram aqui, aprendendo no dia a dia. E agora já tenho neto que chega querendo colocar avental, tirar pedido e até diz que é o dono do bar”, conta, com bom humor.

Cuidado que vira experiência
Na Bodega da Maria Macaxeira, localizada na Vila Buarque, região central de São Paulo, Maria Ramos está à frente do negócio desde 2023 e traduz o cuidado em cada detalhe do atendimento. Ao lado da filha, conduz o bar com uma lógica simples: acolher quem chega.

Durante a pandemia, esse vínculo foi decisivo para a sobrevivência do negócio, com clientes que fizeram questão de manter a relação construída ao longo dos anos. “Quero que a pessoa saia daqui como se tivesse comido na minha casa.” Hoje, mãe e filha dividem responsabilidades e seguem fortalecendo o negócio com base na proximidade e no acolhimento.

Visibilidade que transforma trajetórias
Ao destacar histórias como essas, o Comida di Buteco reforça seu papel como plataforma de valorização de pequenos empreendedores, especialmente mulheres que sustentam suas famílias enquanto constroem negócios sólidos em um setor desafiador. Mais do que promover a gastronomia, o festival amplia o alcance dessas histórias, gera fluxo para os estabelecimentos e contribui para posicionar esses bares como espaços de convivência, cultura e identidade.

No mês do Dia das Mães, essas trajetórias ganham ainda mais significado: mostram que, por trás de cada prato servido, há histórias de cuidado, coragem e resistência que ajudam a sustentar, literalmente, a vida de muitas famílias.

Sobre o Comida di Buteco

Criado em 2000, o Comida di Buteco é um dos maiores concursos gastronômicos do Brasil, presente em diversas cidades. Com foco na valorização dos bares tradicionais, o evento mobiliza público e jurados na eleição dos melhores estabelecimentos, ao mesmo tempo em que fortalece a economia local e dá visibilidade a histórias que vão muito além da cozinha.

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